| haverá o dia, tu sabes, em que nada do que presumes ser poesia terá já o gosto certo. roídos os ossos da palavra sobrará uma única esboroada pedra e haverá o dia em que, tu sabes, pelas areias nesses desertos desabrocharão como manhãs, límpidas e frescas, as orquídeas, as magnólias e os outros perfumes de ser belo. as águas calmas no verde serão apenas idílios e novos nomes ganharão o sabor de serem ditos e reditos como línguas equivocadas no céu de outra boca.
“mas nada disto, absolutamente nada disto, tem que ver com poesia”: é mais assim como que o corpo feito de sucessivos despojos
metamórficas páginas
um necessário
e urgente
desejo. |
blimunda
P>
exalar significados
pelos olhos
tê-los fechados
sucedendo-se as paisagens
só rente aos lábios
intocar-lhes
os âmagos dilatados
suspender os sentidos
retardá-los