baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Terça-feira, Setembro 12, 2006

Sem pelo dizer passar


Inspired Remembrance by r.e. (c)


| Com os indivíduos incomuns (...), e tanto mais quanto mais distintos forem, (...), de tempos em tempos, no seu isolamento, podem alegrar-se por terem descoberto em alguém, uma fibra, por menor que seja, homogénea à sua! De facto, cada um só pode ser para outrem o que este é para ele. Espíritos verdadeiramente eminentes fazem o seu ninho nas alturas, como as águias, solitários. (...), isso explica por que os indivíduos de disposição igual se reúnem de imediato, como por atracção magnética: é que almas afins já de longe se saúdam. | Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’


| Mas sede prudente também com os vossos iguais. (...) Deixai antes que os outros vos descubram (...). Devereis ser de bastante e às vezes parecer de pouco. (...) E sobretudo, se tiverdes paixões, não as ponhais à vista, por mais nobres que vos pareçam. Não se deve consentir a todos o acesso ao nosso próprio coração. Um silêncio cauto e prudente é o cofre da sensatez. | Umberto Eco, in ‘A Ilha do Dia Antes’


Nada mais direi
Que não tenha já dito
; que não tenha sido dito.
Nada que do dizer podia
Encontra rima em metáforas
; equilibradas.
Se os meus silêncios
São aqui já nadas
Antes fossem aquele tudo
; que me soubesse sem pelo dizer passar.
Só passos firmes galgando velhos limites
Passar-me para o outro lado
; sem pensar cuidado
E deixar-me amar.

Publicado por mjm • às 12:45 AM • Categoria: Poesia blábláblá (1) •



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