baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Sábado, Maio 06, 2006

se é ave que canta…


CROWD 62 by Misha Gordin

| Se uma pessoa quiser, durante muito tempo e persistentemente, parecer alguma coisa, consegue-o pois acaba por se lhe tornar difícil ser qualquer outra coisa. A profissão de quase toda a gente, até do artista, começa com hipocrisia, com uma imitação a partir do exterior, com um copiar de aquilo que é eficaz. Aquele que traz sempre a máscara das expressões fisionómicas amistosas tem de acabar por adquirir poder sobre as disposições anímicas benévolas, sem as quais não é possível forçar a expressão da afabilidade - e, finalmente, por seu turno adquirem estas poder sobre ele: ele é amistoso. |
Friedrich Nietzsche, in ’Humano, Demasiado Humano

não adianta
a recorrência sonora
qualquer ave canora
sabe
que o canto se faz
da sem-vontade
é uma espécie de grito
impresso no corpo
como a asa que
sabe
do voo
ainda que queda
no ninho piloso
o canto ness’ave
não sabe que
sabe
que é d’ave que canta
fá-lo somente
recorrentemente
somos nós quem se espanta
com a própria garganta

Publicado por mjm • às 01:52 AM • Categoria: Poesia blábláblá (5) •



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