baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Sexta-feira, Maio 09, 2008

o.r.d.e.n.a.r



desert rose by Ofelia Pagani


| ... É compreensível que um engenheiro se entregue à sua especialidade, em vez de se perder na liberdade e na vastidão do mundo; pois ninguém lhe pede que transfira a ousadia e a novidade da alma da sua técnica para a sua alma privada, tal como não se espera de uma máquina que aplique a si própria o cálculo infinitesimal sobre o qual se baseia. |
in O Homem Sem Qualidades, Robert Musil, pp. 71


Se categorizasse
cada único gesto teu
como te arrumaria?
Em inúmeras ordenações
sendo que a nenhuma pertencerias.
Ainda que me detenha
meticulosa
olhando uma única rosa
- escolho e recorro ao que o socorro
pertence a rosa - de entre as rosas
esqueceria a que é bravia.
Por isso esquece - deter-me-ei por algo em ão
como emoção ou até razão até esgotar o coração
de fantasia.
Sem argumento
esqueço o momento em que elegia
escolher falar-te. Pois
nada entendes de gente livre
nem de poesia.


Publicado por mjm • às 01:46 AM • Categoria: Poesia blábláblá (0) •



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