[ Zona das metáforas
Estou só, na zona das metáforas
(que é todo o pensamento),
em nenhum resíduo nada exprimo
(mas sempre metaforizo).
Não sinto a solidão total
dos poemas, talvez grutas,
o mar quieto, nem silêncio.
Apenas espero o outro,
um amor esplêndido,
alheio e desejável.
Fiama Hasse Pais Brandão ]
No redemoinho da roda
dos dias. Sem o teu olhar
definharia. Por isso me dependuro dos segredos
que tecemos. A cada dia.
Se as almas se desmanchassem
- diz-me tu – em que taças as recolheríamos?
Nas dos olhos com que vemos
por dentro
os dias que fantasiamos – dirias -. A taça
cheia. De nós connosco dentro. Dos olhos.
Com que nos vemos
a inventar dias felizes.
No redemoinho dos olhos. A cada dia.
Tecemos almas
dependuradas nos segredos
dos dias. Felizes.