baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Terça-feira, Maio 06, 2008

inumano

a atenção
para a frente se redige - o pescoço hirto -

nenhum fascínio
a redirige. a lua - um disco plano - imóvel
poalha de poemas - sobra

        há uma hérnia nos dedos
        há uma catarata na íris
        há um homem a mais - que soçobra -


e um prisma invertido
divertido com antigos medos



by M. C. Escher

| Não podemos mesmo deixar de nos surpreender ao ver a tranquilidade, a resignação e mesmo o secreto alívio com que os humanos concordaram com o seu próprio desaparecimento.
Rompemos o laço filial que nos ligava à humanidade e passámos a viver. Para que toda a gente possa ver, vivemos felizes. O que era inultrapassável para os homens, as forças negativas do egoísmo, da crueldade e da cólera, já não existe para nós. Pode dizer-se que vivemos uma vida completamente diferente. A ciência e a arte continuam a existir na nossa sociedade, mas a procura da Verdade e do Belo, menos estimulada pelo aguilhão da vaidade pessoal, adquiriu um carácter menos urgente. Para os humanos da antiga raça, o nosso mundo parece o paraíso. Por vezes acontece que cheguemos a qualificar-nos a nós próprios - de uma forma, pode dizer-se, um pouco brincalhona - como «deuses», essa palavra tão cheia de ecos para os humanos. |
in ‘As Partículas Elementares’, Michel Houellebecq


Publicado por mjm • às 12:35 PM • Categoria: Poesia blábláblá (0) •



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