baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Sexta-feira, Abril 18, 2008

Faz hoje. Com certeza.

| A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia. A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso.
Pelo menos ainda.
Ainda é uma questão de tempo. Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém.
Os construtores demolem. No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção. |
Ana Hatherly, in ‘O Mestre’



by Lilya Corneli


Faz hoje
não sei quanto tempo que
alguma coisa aconteceu
para lembrar. Com certeza. Alguma coisa que
devia estar a comemorar.
Não me lembro.

Dei comigo a medir
quanto disto de
me comemorar. E não me lembro.
Mas sei que faz hoje
não sei quanto tempo.

Com certeza. De alguma coisa
disto. De qualquer coisa que
me mede no tempo.
Quanto mais me aproximo
insisto. Não me lembro. Roubo tempo
ao tempo e persisto. Tem que haver
algo a comemorar!

Rememoro o tempo
onde existo. Não me lembro. Um momento. Perdi
a marca ao lugar.
Com certeza. De mim há tempo
com tempo por vir. Devagar.

De muito de mim
hoje disto. E não me lembro. Redemoro
no tempo
a passar. Com certeza. Faz hoje
não sei quanto tempo que
o tempo era tempo a marcar.


Publicado por mjm • às 02:25 AM • Categoria: Poesia blábláblá (3) •



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