baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Quinta-feira, Maio 11, 2006

Eventualmente retorno

- Grande panorama! - disse o conselheiro com ênfase. E encetou logo o elogio da cidade. Era uma das mais belas da Europa, decerto, e como entrada, só Constantinopla!
Eça de Queirós, O Primo Basílio, 1878

Lisboa. Vista panorâmica a partir do jardim de S. Pedro de Alcântara - 1ª metade do séc. XIX
Vista do lado oriental da cidade de Lisboa, tirada do jardim de S. Pedro de Alcântara
Litografia, Sousa e Barreto, 1844
BN EA. 94 (8) A.
(Biblioteca Nacional)

Eventualmente retorno
Como a luz matinal às ruas estreitas
Esgueirando-se pelo que pode
Pendurando-se em janelas
Ficarei parada na tua
Quando trincando torradas
Esvoaçares melenas molhadas
Olhando o Tejo ao fundo
Terás sardinheiras nos lábios
E os pombos da mansarda
Disputarão comigo migalhas
Arrulhando a despique o silêncio
Do meu desejo profundo

Na paisagem eventual
A cidade é o meu capricho
De manhã, de vida, de mundo

Publicado por mjm • às 12:57 AM • Categoria: Poesia blábláblá (4) •



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