baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Segunda-feira, Junho 12, 2006

espelhada


by Lilya Corneli

| como dizer só de amor / se tenho alguns neurônios / que imersos em juízo / quase me desinventam? | Geórgia

disseste
de um poema meu
a regra servir-lhe de alma
pensei - ousei, vê só! -
relancear por ele o esquadro
- e vi que estavas errado -
: a regra não era a alma
servir-lhe, nada a serve
muito menos um poema
- um poema que encarcere
doze cordas - sem dedilhar
o peito que lhe deu fado

dentro dele
presa não fui
escrevi-o - isso o confesso -
: dedilhando de mim pedaços
regrados dentro de um verso
a alma - a alma, atesto -
mirava-o pois que me sabe
espelhada
- mas no reverso

a regra que a tudo serve
serve-me a mim ao escrever
: estrutura no teu olhar
palavras, motes - rasar -
o dito por não dizer
se a melodia
te engana, parte a métrica
rouba a flama
à rima cega outro cego
segue o som - surdo, se a alma
não ouve chamar
quem o ama

Publicado por mjm • às 11:48 PM • Categoria: Poesia blábláblá (9) •



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