Conta-me uma história, vá lá!
Como aquela que começa por “Era uma vez uma cabrinha...” e que nunca consegui saber como terminava. Porque de cada vez que te pedia que ma contasses, esquecias qual o fim que lhe tinhas dado e eu protestava e dizia “- Não é assim!”. Então, engasgavas e recomeçavas o ”Era uma vez uma cabrinha...”
Muitas vezes a contaste; muitas vezes precisei de a ouvir. Porque era da tua voz que precisava – como agora. A tua voz doce, doce, a falar-me de mundos distantes, cheios de estranhas magias. A preencher-me o imaginário de esperança, de vontade de me ver lá, nesse prado verdejante, a saber da história da cabrinha que tinha uma perna presa por uma corda, e eu, amarrada também à corda da história da cabrinha.
Que a criança não cresceu. Continua com vontade de encher o imaginário de esperança – mesmo que a tua voz tenha mudado, mesmo que a cabrinha se tenha soltado; porque eu continuo a ter vontade de me ver lá, nesse prado verdejante e saber que novos finais imaginaste para a cabrinha, que tinha uma perna presa por uma corda, e eu, amarrada também à corda da história da cabrinha.