não há poema que quebre o cristal sob o pensamento mas
apenas poesia onde a razão se abre voluntariamente ao olhar turvo do delírio
e há quem saiba disso
do lado de cá da lucidez e não saiba dizer
o que vê sem parecer ter-se fundido já
com o próprio reflexo
(in xxviii, r.e)
E pedes
que sonhe - mais do que já faço
no correr das horas -
Que as sinta paradas
noutra dimensão - talvez
perto do olhar -
Que sorria sempre
revirando os sonhos noutras almofadas
Aquelas que encostam
sorriso a sorriso - boca a boca -
amar
E pedes
que descanse - nem sei bem de quê
nem em qual das horas -
Que me desdobre
alongada nelas sem as contar
Contando
vou enleando nelas o cansaço afora
Redobrado - agora - o prazer
se nelas me alongo
a esperar
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Gostaria de ver a Marta Mateus a cantar estes versos. Imagino-a a recriar esta valsa…
Enquanto isso, sugiro um fim de noite diferente às sextas-feiras:
Teatro Nac. D. Maria II - O´QueStrada - 23h30
(oiçam as músicas no site - incontornável, o ‘Killing Me’! - mas não percam o espectáculo!)