baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Sexta-feira, Junho 02, 2006

Dar igual não sei


Osmosis by Alvin Booth

| E a coragem seria largar os sapatos velhos e calçar outros, ou andar descalços e ferir os pés, mas caminhar, seguir no meio da rebelião, porém juntos. Refém um do outro, e não como inimigo do outro. Por isso aprendemos dividir tudo em pedaços, minha dor, meus sigilos, as lascívias, os dramas e todos seus núcleos. De uma hora pra outra deixamos de nos suceder e por isso nos tornamos estranhos, escondendo-nos as coisas que queríamos amar pra deixarmos de sofrer continuamente.| Ilidio Soares in Rastos Dos Assomos

Como fazer
para no confronto da reciprocidade
recolher o espasmo
para não devolver humanidade?
Louca serei
isso eu sei
Carregar num saco atado a atrocidade
tanto desamor imposto
pela vulgar tarefa correcta da paridade!
Dar igual não sei
ao que é igual recebo e calo.
Darei
por certo estranhamente tanto
que é ralo o que parece
Pois fa-lo-ei no maquinal gesto
e erro o excesso
só para mim
Que sei dar igual
ao que igual quero
E dentro
definha inglório o manifesto
Que dar de mim
daria grata e sem protesto.

Publicado por mjm • às 02:37 AM • Categoria: Poesia blábláblá (3) •



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