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:: Terça-feira, Junho 24, 2008

o artifício do fogo


liquid shadow by Misha Gordin



Tudo o que vejo limítrofe ao meu canto
só prolonga a escuridão.
E eu queria queimar os olhos
com surpresas.
Emagreço os contrários
para equilibrar os invernos
e as chuvas que caem só pontualmente me molham.
[
O que vou escrevendo
sempre antecede os últimos pensamentos
]
Volto. Volto por método
dois passos à frente de onde me perdi.
Sei de um lugar
onde brotam malmequeres espontâneos
que se colam, gavinhando, à verticalidade
com que escrevo a vida.
[
Legitimo a urgência
: queria
queimar os olhos com surpresas
]

Conservo intacta
a taça onde me embriago.
[
A sede é uma simplificação que o corpo inventa
]

Publicado por mjm • às 08:11 PM • Categoria: Poesiablábláblá (4) •

:: Comentários:

"E eu queria queimar os olhos
com surpresas...”

... quem não quer, Baby?

... e desfolhar malmequeres em lugares impossíveis?

sorvo. uma gota que seja…

belo, Baby

beijos

Comentado por heretico  em  06/25  às  04:33 PM

Eu diria, para além de belo…

Beijo

Comentado por Micas  em  06/26  às  11:29 PM

Perder o perdido dáva jeito. Mas fica sempre a merda do silêncio atravessada nos olhos!

Abraço!
Estou intermitente.

Comentado por pilantra  em  06/29  às  08:56 PM

Esse ‘ eu queria queimar os olhos/ com surpresas’ é um achado raro. Belíssimo. E como se não bastasse, ainda tem ‘ sede é uma simplificação que o corpo inventa.’
Um poemaço, moça. Vai pra minha pasta de especialíssimos de MJM. wink
Muitos beijos, por eles. Ou kisses, plenty. Tanto faz, né? wink

Comentado por Márcia  em  07/19  às  12:35 PM

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