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:: Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Não me apetece


by Mário Cruz


E de vez em quando é assim: vivo numa suspensão de tudo, de interesses, de leituras, de escrita. Possivelmente é um erro supor-se que um interesse, seja qual for, reside nisso mesmo em que se está interessado. Não está. Um interesse remete sempre para outro e outro, até ao interesse final que tem que ver com a própria vida, o motivo global que nos impulsiona. Há pelo menos que haver uma razão final e genérica para que as razões circunstanciais ou ocasionais tenham um efeito propulsor. Há que termos essa razão, mesmo inconsciente, para que todas as outras actuem em nós. E o que não acontece quando por exemplo dizemos que estamos sem interesse. Não nos apetece ler, não nos apetece escrever, não nos apetece ir ao cinema, ouvir música etc, quando falta uma razão global em que isso se inscreva. E então dizemos sumariamente isso mesmo: que não nos apetece. Se temos um grande desgosto, se estamos condenados por uma doença etc. justifica-se o desinteresse por essa razão. Significa isso que essa razão é o fundamento global que nos falhou para qualquer outro interesse subsistir. Os que superam esse estado são excepcionais, ou loucos ou de força de vontade ou obsessivos, o que tudo é um modo de dizer que se está fora dos limites normais. Hoje estou em dia de suspensão - venho-o estando, aliás, há já dias. Só não sei a razão fundamental para que seja assim. Vou pensar aplicadamente, a ver se sei.


Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 5’

Publicado por mjm • às 11:20 AM • Categoria: Divulgaçãoblábláblá (9) •

:: Comentários:

Também não me apetece.
Ainda pensei que passaria com as férias mas enganei-me.
Falar, cansa. E nem a feijões merece!

Comentado por pilantra  em  09/09  às  04:42 PM

lembras que um dia chamou tua atenção alguém que estava remexendo em arquivos antigos de tua autoria? - pois é, Amiga, fazes falta, mas percebo tua “suspensão” (vez por outra acomete a todos nós). de todo modo, não esqueças (não esqueço!): és mui querida, até por quem só te “conhece” por meio das palavras que semeias.

ao postar este comentário não espero que as palavras voltem. espero que elas se aninhem em tua alma (quanta presunção a minha, hem? rss!).

uma beijoca fraterna e saudosa.

Comentado por  em  09/22  às  01:47 PM

Muda lá isso! Uma pessoa vem aqui e é isto!

Comentado por pilantra  em  09/26  às  05:17 PM

Não me apetecia ler este texto.
Mas, depois de o ler, apetecia-me que o texto tivesse continuação.
Ou seja, a motivação abre o apetite…
Abraço.

Comentado por Nilson Barcelli  em  09/26  às  06:59 PM

Eu ando mais ou menos assim, sabia?
Beijoutro.

Comentado por Márcia  em  10/05  às  05:42 AM

Vou de férias.

Comentado por pilantra  em  11/27  às  05:43 PM

Gostei do blogue. Pena que esteja a marinar… perto do mar, espero!

Beijos

Comentado por O aprendiz de ignorante  em  12/19  às  05:48 AM

de todo modo, quando num dia qualquer abrires a correspondência, verás essas palavras dançando:

um Bom Natal, Amiga!

Comentado por  em  12/21  às  07:16 PM

BOM ANO DE 2009! E muitos beijos.

Comentado por vida de vidro  em  12/29  às  04:31 PM

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