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:: Sábado, Maio 17, 2008

.deslocalização.



The Eastern Garden (1980) by Olivia Parker


                          nenhuma urgência no mundo
                  depende de
                              um poema

                          nenhuma urgência no mundo
                  é já por si
                              um poema



| Tudo é humanidade, e a humanidade é sempre a mesma - variável mas inaperfeiçoável, oscilante mas improgressiva. Perante o curso inimplorável das coisas, a vida que tivemos sem saber como e perderemos sem saber quando, o jogo de mil xadrezes que é a vida em comum e luta, o tédio de contemplar sem utilidade o que se não realiza nunca - que pode fazer o sábio senão pedir o repouso, o não ter que pensar em viver, pois basta ter que viver, um pouco de lugar ao sol e ao ar e ao menos o sonho de que há paz do lado de lá dos montes. |
Fernando Pessoa, in ‘Livro do Desassossego’

Publicado por mjm • às 12:30 PM • Categoria: Poesiablábláblá (3) •

:: Comentários:

Mas será que o poema
depende de uma urgência?
E o poema
é já por si
uma urgência?

Fernando Pessoa, inultrapassável… (até agora)

Beijinhos

Comentado por Nilson Barcelli  em  05/17  às  10:59 PM

Se o poema não fosse urgente
dizia-se de outra maneira. Fazia-se.

E esse supra retrato endotérmico
endotérico
endofésico
endofásico
é uma epitome de mim
capitulo 3, parte II, cena I

Adeus que amanhã volto.
Sempre que deixo o Tejo, a sopa
cai-me mal.

Comentado por samartaime  em  05/19  às  08:18 PM

tens razão - a poesia já não se come…

... a urgência é apenas sobrevivência!

beijo, Baby

Comentado por heretico  em  05/19  às  09:05 PM

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