baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

esquisito

(...)
When the dog bites
When the bee stings
When I’m feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don’t feel so bad

Maria’s song ‘My Favorite Things’
from the film The Sound of Music

tantas coisas esquisitas
que quando são ditas
podem ser poesia…
poesia, daquela esquisita
da que agonia de tanta agonia
são ditas e ponto
: certas viram poesia

como o mais comum
connosco dia a dia
pode nem ter graça
: ser fundo de garrafa
depois de ser bebida por quem não teve a graça
de encontrar no fundo a graça da poesia

esquisita
deve ser a vida
para quem nela acha apenas a agonia
sem nunca achar graça
sequer poesia…

Publicado por mjm • às 05:27 PM • Categoria: Poesia blábláblá (11) •

:: Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Identidade


is the sunrise the inversion of a sunset? by r.e.



| a humanidade espelha transversalmente o que a une, pela semelhança.
porém, só se valida se acentuar a diferença.
| mjm


Ser-se a antítese de si mesmo
Negando ao outro a redenção
Pelo reconhecimento
Retira a confiança do crente -
A paz em que espelha cansados os olhos
No espelho dos meus, reciclados escolhos -
Logra tranquilizar-se por se ter achado
Refractado em partículas que lesto absorve;
Mas já nada devolve
O que faz ser-se humano

[
Se quem me precisa é um outro sujeito
E se em tese de outro outro num outro preciso
Precisa serei por esse outro pelo engano
Que em mim acha o que de mim precisa
Sem em mim reparar que por síntese ou encanto
Preciso é precisar o que é desumano
]

Passo a água na cara
A água no corpo; a água no leito
Limpo da vida resquícios de mágoa
Trajectos que a alma errou desajeito
Sagaz embacio reflexos que espelhem
Este loudaçal que se espalha pelo peito
Sem haver outro jeito; sem ver outro jeito
Sem jeito de um dia conseguir esconder
O que degenera num crime perfeito

Publicado por mjm • às 02:45 PM • Categoria: Poesia blábláblá (2) •

:: Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Dedos, se conseguir, que eu não consigo dar mais

tou c vontad de fazer um post ao DEDOS
mas n me apetece mexer os dedos pra nada



olhem, vão plos v dedos

Publicado por mjm • às 12:19 AM • Categoria: Poesia blábláblá (10) •

:: Sexta-feira, Novembro 03, 2006

A Razão do Lançamento

[NOTA DO DONO DO BLOG:
este espaço foi hoje alugado exlusivamente para a divulgação da abertura oficial da caça ao A RAZÃO TEM SEMPRE CLIENTE, em formato de livro, que enganosamente se diz ter sido lançado no dia 2.NOV.2006. Mais se adverte que o autor não disponibilizará somalis para essa actividade. Terão que o procurar por conta própria numa livraria de prestígio e contentar-se apenas com o livro.]

A Razão do Lançamento

Há eventos que nos apanham, como se não houvesse amanhã. Achamos que podemos aceitar convites, que a coisa vai ser chapa 6, borrifadelas chanel 5, pendurar o sorriso número 3, e ala moço, que já lá devias estar!… Esqueçam esses números!
Nem pensem em tomar à letra um convite que diga «Lançamento do livro...» porque é uma redonda mentira. Um pobre incauto, aloja-se lá para trás, escondidito, a espreitar entre pescoços a cabeça de onde sai a voz que estamos a ouvir, sempre, sempre à espera do tal do momento para se baixar para não levar com o livro na tola, tentar depois surripiar um menos pisado que fique por ali no chão a olhar para nós e… nada!
É uma tristeza que não se vá para lá do «Lançamento da Palavra sobre um Livro que Acabou de ser Lançado».
Próximo convite que receba, não irei.
Vou reservar-me para um «Arremesso da Beata». Assim como assim, já percebi que nenhuma freira irá ser sacrificada…


[o segundo texto poderia ser A Ração do Lançamento, mas vou poupar-me/vos]
zipper

Publicado por mjm • às 12:15 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (11) •

:: Sexta-feira, Outubro 13, 2006

There is no band, yet…

“ No hay banda . Il n’y a pas d’orchestre . There is no band . It is all a recording, “ the compère insists . The audience is gathered in an underground theater . There is music, there is performance . There is nerve and intensity . Yet, he contends, “ it is an illusion . “



____________________________
[ esta página foi vista 92792 vezes ]
. kiss’n’ugs . thks .


(photo: Victor Skrebneski, Lagerfeld for Chanel)
(words: Mulholland Drive, David Lynch)

Publicado por mjm • às 11:32 PM • Categoria: Memories blábláblá (10) •

:: Sábado, Outubro 07, 2006

mas eu não sei


escultura de Ron Mueck


| obra que em meio ficou não precisa envelhecer para ser ruína | José Saramago in ‘Memorial do Convento’


Às vezes dizem-me caminhos apontando para roteiros
que eu olho sem ver rodeios e digo sei

mas não sei

Que meneie cem vezes a cabeça em sins acólitos
escondendo em sorrisos os meus vómitos
Que não vos dê a minha dor por ver a vossa e a troque
gentilmente; seja quem mente

mas não sei

Não sei se deva ser generosa
afinal
se toda a verdade é desdenhosa
e a minha pode colidir com a vossa
minta quem possa

mas eu não sei

Publicado por mjm • às 01:10 PM • Categoria: Poesia blábláblá (7) •

:: Terça-feira, Outubro 03, 2006

não há regresso


já não caminho para o regresso
de onde venho. não há traçados que se projectem
para nenhum lugar marcado - nem chão nem tecto -
o meu passado ficou imerso
por onde andei. deixei bocados - quem sabe infectem -
dispersando ecos de mim por todo o lado - meu o afecto -
neste presente onde me penso
não há regresso. nem recomeço

Publicado por mjm • às 02:56 PM • Categoria: Poesia blábláblá (7) •

:: Quarta-feira, Setembro 27, 2006

A tua ausência


Sonho by TCA

| Eu diria não do amor mas do vivido
que inolvido ainda lê-se sob a linha
que escrevinha em minha pele o teu olhar
(...)
Por ser vão o possuir-se aquém do amar
ao falar mesmo distante sei que aninha
e adivinha-me o teu corpo inesquecido |
Márcia Maia in 180

A tua ausência
não me cabe num poema
Dizer-ta aqui sem pele onde a escrever
era amar-te inteiro como inteiro existes adverso
ao verso do existir por dentro apenas
Não sei de presença
que mais me doa que calar o que em mim fala
pelas entranhas onde circulas adverso
Inverso a tudo a que do amor entendas

Publicado por mjm • às 01:25 PM • Categoria: Poesia blábláblá (4) •

:: Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Diz-me como comes, dir-te-ei quem és…




Temos o direito de não comer, não temos o direito de comer mal.

Leonardo da Vinci


Uma das coisas que me irritam nesta minha nova condição é só poder usar a primeira parte da frase… mas recomendo, aplaudo e invejo quem a possa usar na íntegra.

_________

Desculpa Vitor, mas vou ter que me cingir ao teu conselho: «Quando não se tiver tempo ou disposição para se fazer uma refeição decente, escolha-se um iogurte»… Para quando iogurtes gourmet?

Publicado por mjm • às 11:23 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (1) •

:: Terça-feira, Setembro 19, 2006

de - volVer

Ok.. Ok..
Sou fã de Almodóvar, que quereis?
Um pouco de Gardel na voz de Estrella Morente, num playback na boca perfeita e rasgada de Penélope Cruz, mais madura e linda que nunca, que não me sai da cabeça.
Cliquem na música e entrem numa odisseia feminina contada por PA e sintam o vento leste que enlouquece La Mancha e os moinhos de D. Quixote.

Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos,
van marcando mi retorno…
Son las mismas que alumbraron,
con sus pálidos reflejos,
hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso,
siempre se vuelve al primer amor.
La quieta calle donde el eco dijo:
Tuya es su vida, tuyo es su querer,
bajo el burlon mirar de las estrellas
que con indiferencia hoy me ven volver…

Volver,
con la frente marchita,
las nieves del tiempo
platearon mi sien…
Sentir… que es un soplo la vida,
que veinte anos no es nada,
que febril la mirada
errante en la sombras
te busca y te nombra.
Vivir,
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo,
que lloro otra vez…

Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida…
Tengo miedo de las noches
que, pobladas de recuerdos,
encadenan mi soñar…
Pero el viajero que huye
tarde o temprano detiene su andar…
Y aunque el olvido, que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusión,
guardo escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón.

Vivir… con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez…

Publicado por mjm • às 11:13 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (4) •

:: Domingo, Setembro 17, 2006

atrito


R Gonzalez Fernandez, BACON


| -La diferencia es solo el resultado de sustraer al otro lo que nosotros creemos ser, por eso hay tanta confusión, por eso hay tantas coincidencias. |



a interna circulação
arrisca um texto
rodam paráfrases
do mesmo silêncio
.
atrito insuportável





R Gonzalez Fernandez, PICASSO


| -Te has convertido en una sombra de tu propria obra, tal vez porque sabes que las creaciones son la única confirmación de la existencia. |

Publicado por mjm • às 12:35 AM • Categoria: Poesia blábláblá (7) •

:: Sexta-feira, Setembro 15, 2006

E se não mais fizer


by r.e. (c)

| (...)
- turning from the tremendous lie of sleep
i watch the roses of the day grow deep. |
e.e. cummings


[ ... ]

E se não mais fizer
Que útil seja
Que venha cada dia
Cereja a cereja

[ sob a árvore a vida corre ]
[ por sobre dorme ]

Sou quem sobeja


Publicado por mjm • às 01:00 AM • Categoria: Poesia blábláblá (2) •

:: Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Palavras Compridas #3


crestomatia . antologia . florilégio . analecto

A palavra crestomatia é uma palavra composta, registada no início do século XVII. É composta de dois elementos, ambos gregos, de chrêstos, que significa “útil”, e de máthesis, “aprendizagem”, do verbo manthanein que significa “aprender”. O significado do substantivo crestomatia seria portanto “aquilo que é útil para a aprendizagem, que é útil no processo educativo” e refere-se a colectânea de textos escolhidos em função do ensino: recolha de fragmentos de prosa tirados de autores clássicos, célebres, que escrevem “bem” e são “bons” para o ensino.

O termo vizinho, hoje frequentemente misturado com o de crestomatia é o de antologia. Sendo o anthos a flor em grego, a antologia seria uma recolha de textos ou excertos de textos, mas escolhidos mais por um critério estético, não sendo conotada com a ideia de ensino. Além disso, o termo antologia usa-se com mais frequência para a poesia, enquanto a crestomatia se referiria mais à prosa.

Existe mais um termo semelhante em português (e não só em português): o de florilégio, de início do século XVIII. O florilégio tem também uma conotação de avaliação estética, embora possa denotar qualquer recolha de textos considerados representativos, conforme vários critérios adoptados. Vem do latim moderno florilegium, palavra forjada segundo o modelo de spicilegium, de spica, “ponta, espiga”, que passou a denotar uma espécie de ligadura, utilizada para amassar os documentos ou páginas avulsas de qualquer texto, diplomas, etc. A palavra espicilégio existe, acho, ainda hoje em português, mas mais para a papelada administrativa, lato sensu.

E, por fim, o(s) analecto(s) é mais um termo vizinho aos referidos, que podia ter sido utilizado para a colectânea de fragmentos, literários mas não só, que vem do grego análectos, “recolhido”, através do latim analecta, que designava o coitado escravo que recolhia os restos de refeições ou o compilador de frases e palavras.

(Faculdade de Letras de Zagreb, Croácia)


___________________
[ #1 | #2 | #1 - 2., #2 - 1. ]

Publicado por mjm • às 12:51 AM • Categoria: Palavras Compridas blábláblá (0) •

:: Terça-feira, Setembro 12, 2006

Zapping to Reality


b’ndia

bzzz
foste levar a chavala?
que tal?

tou chateada como um peru!
atão?

foi só a reunião
eu sabia
e...?

e ela só tem escola até às 3h
oc car assas

não têm Atl e não arranjo nenhum
já viste esta merda?

oc car assas
então.. é das 9h às 3h??????

fui a uma creche lá ao pé
isso não é escola; é part-time

da paróquia da outurela e paga-se consoante os rendimentos
pois

hummm

e trouxe uma inscrição e esses estão abertos até às 19h30
vamos lá a ver se tenho vaga

vá lá… têm Atl de torneiro mecânico? LOL
sorry

na escola dela no ano passado tinham Atl. este ano não há verba
oc car assas

isto é surrealista
não… é um país de não-brancos

tou tão desanimada...
então… q tal ficares sentada no carro, depois de a despejares, e depois trazê-la às 3h???
acredito
isso não ‘rende’

e o pior é que não sei a quem me dirigir para protestar
a ninguém!.... helloooo
neste país não se protesta; desabafa-se
quem manda terem filhos, hein?!
vi uma peça na TV sobre trás-os-montes… fecharam sem avisar, cerca de 60 escolas… algumas povoações distam da q funciona 40Kms… vão fazer os miúdos deslocar-se de taxi
no comments…
num jornal espanhol, uma notícia mereceu a seguinte parangona:
SE LLAMA ANTÓNIO, NACIÓ EN ESPAÑA, PERO ES PORTUGUES

daqui a pouco também vão para as escolas espanholas
si
good news:
- não se vai privatizar a segurança social! - socrates dixit
enqt continuarem sem saber aonde anexar portugal… seremos uma ilha encostada à europa…
tu não tens um problema; tu tens uma realidade
[ok, ok… não tou a ajudar]
[tou só a ajudar a rechear-te o peru]
...e..... TAPA NA PANTERA!!!

mas é isso mesmo
estou a ver o site do ministério e não ajuda...

pois

têm jardins de infância e não têm horários
bueno
busca en los espanhuelos.... LOL

podes crer

Publicado por mjm • às 12:30 PM • Categoria: Prosa blábláblá (0) •

:: Terça-feira, Setembro 12, 2006

Sem pelo dizer passar


Inspired Remembrance by r.e. (c)


| Com os indivíduos incomuns (...), e tanto mais quanto mais distintos forem, (...), de tempos em tempos, no seu isolamento, podem alegrar-se por terem descoberto em alguém, uma fibra, por menor que seja, homogénea à sua! De facto, cada um só pode ser para outrem o que este é para ele. Espíritos verdadeiramente eminentes fazem o seu ninho nas alturas, como as águias, solitários. (...), isso explica por que os indivíduos de disposição igual se reúnem de imediato, como por atracção magnética: é que almas afins já de longe se saúdam. | Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’


| Mas sede prudente também com os vossos iguais. (...) Deixai antes que os outros vos descubram (...). Devereis ser de bastante e às vezes parecer de pouco. (...) E sobretudo, se tiverdes paixões, não as ponhais à vista, por mais nobres que vos pareçam. Não se deve consentir a todos o acesso ao nosso próprio coração. Um silêncio cauto e prudente é o cofre da sensatez. | Umberto Eco, in ‘A Ilha do Dia Antes’


Nada mais direi
Que não tenha já dito
; que não tenha sido dito.
Nada que do dizer podia
Encontra rima em metáforas
; equilibradas.
Se os meus silêncios
São aqui já nadas
Antes fossem aquele tudo
; que me soubesse sem pelo dizer passar.
Só passos firmes galgando velhos limites
Passar-me para o outro lado
; sem pensar cuidado
E deixar-me amar.

Publicado por mjm • às 12:45 AM • Categoria: Poesia blábláblá (1) •



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