baby lónia

[a poesia habita quem não tem morada]

:: Quinta-feira, Abril 14, 2005

De todo

A multiplicidade
do todo
retida na parte
dá-nos a visão caleidoscópica
do todo
porque a parte
faz parte do todo
e o todo não é
de todo
a parte

Publicado por mjm • às 11:12 PM • Categoria: Poesia blábláblá (11) •

:: Quarta-feira, Abril 13, 2005

Contentores na água

| O tédio é a verdade em estado puro |
Jacques Rigaut


Rodney Smith

Não transigir! O sonho erguido em haste! Nem saturar de iodo amorfas formas. O que não serve não tem lugar, nem se reciclam fones para harmonizar sinfonias. Todas as coisas ostentam a sua justa medida, e o tamanho dos sonhos não se confina à capacidade do sonhador.
( Qual é a justa medida de um sonho? )
Um punhado de árvores não deriva em floresta, nem uma andorinha desfaz o Outono. Há transgressão bastante em parar. Deixar que o mundo circule, envelheça, se esvazie, e ousar não se mexer.
Esta, a injúria para os que se deixam carregar. Olham a vida de longe, e imaginam-na inteira e límpida, mas daqueloutro lado do rio. 

Publicado por mjm • às 10:26 PM • Categoria: Prosa blábláblá (12) •

:: Terça-feira, Abril 12, 2005

Biografamos tudo

“(...) Entre morte e vida, entre grafia de morte e grafia de vida, vou escrevendo estas coisas, equilibrado na estreitíssima ponte, de braços abertos agarrando o ar, a desejá-lo mais denso - para que não fosse ou não seja demasiado rápida a queda. Não fosse, não seja. Em pintura, seriam dois tons próximos de uma mesma cor, cor de «ser», para maior exactidão. Um verbo é uma cor, um substantivo um traço. No deserto, só o nada é tudo. Aqui, separamos, distinguimos, arrumamos as gavetas, em depósitos, em armazéns. Biografamos tudo. Às vezes, contamos certo, mas o acerto é muito maior quando inventamos. A invenção não pode ser confrontada com a realidade, logo, tem mais probabilidades de ser exacta. A realidade é o intraduzível porque é plástica, dinâmica. E dialéctica, também. Sei disto um pouco, porque o aprendi em tempos, porque tenho pintado, porque estou a escrever. Agora mesmo o mundo transforma-se lá fora. Nenhuma imagem o pode fixar: o instante não existe. A onda que vinha rolando já se quebrou, a folha deixou de ser asa e não tardará a estalar, resseca, debaixo dos pés. E há o ventre inchado que rapidamente desce, a pele esticada que se reabsorve, enquanto uma criança arqueja e grita. Não é tempo de deserto. Não é já tempo. Não é ainda tempo.”

in José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia

Publicado por mjm • às 10:38 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (6) •

:: Segunda-feira, Abril 11, 2005

na multidão

estarás presente em todos os rostos
peregrino desejo, comum, baldio e leve
breve - intenso e lento
até que o teu lugar em mim te denuncie
e leve o leve - desejo - breve

Publicado por mjm • às 12:50 PM • Categoria: Poesia blábláblá (11) •

:: Domingo, Abril 10, 2005

desvalorizo

desvalorizo
tábua rasa no teu riso
e me emproo
rés-viés em alto voo
sei que deixei
o paraíso
preso nesse teu sorriso
e me comovo

Publicado por mjm • às 10:10 PM • Categoria: Poesia blábláblá (8) •

:: Sábado, Abril 09, 2005

avesso

não me peçam
p’ra voltar quando me alonjo
perco o norte
sorte é poente
e me atravesso
se o excesso
é morte
antes um corte
que um recomeço
- peçam o que eu peço
- meçam o que eu meço
não me limitem
o limite do meu avesso

Publicado por mjm • às 08:09 PM • Categoria: Poesia blábláblá (7) •

:: Sexta-feira, Abril 08, 2005

Se amanhã voltar o verso

Se amanhã voltar o verso
Ainda preso a metades
De metáforas sem sentido
Lembrarei universos pares
Que os tenho aqui num torso
Recolhidos, de castigo

Remodelo significados
Dos sinónimos arbitrários
De poemas que não digo
Ocupada a larvar falas
Não existo nas palavras
E os silêncios são comigo

Publicado por mjm • às 11:10 PM • Categoria: Poesia blábláblá (9) •

:: Quinta-feira, Abril 07, 2005

“emotion equity”

“Um dos maiores equívocos da natureza humana é confundir-se uma expectativa com um compromisso. Uma e outro são honestos quando claros e, nos negócios como na vida, devem gerir-se com parcimónia.

Uma expectativa não obriga a compromisso, aponta tão-somente para ele. É um farol de conduta quando há interesses em jogo entre dois ou mais actores. Mas, mesmo esta, pode ser mal gerida. Basta criar esperança onde não a há, dar informação imperfeita, assumir uma vontade que não depende de nós. A expectativa é como um noivado, é perfeita enquanto não se materializa.

Um compromisso tem outro nível de responsabilidade. É, para todos os efeitos, um contrato. Tem, assim, regras, deveres e obrigações. A quebra só se pode assumir por incumprimento, e este resulta de alternativa ou desinteresse. Há coimas económicas e morais, mas são sempre injustas para as partes. Contudo, com o incumprimento viola-se o espírito do contrato, razão bastante para se questionar o negócio. Os contratos são sempre a prazo, é a vontade que os renova.

Pior, muito pior do que violar expectativas ou compromissos é impor a ditadura da vontade, admitir que os nossos interesses são o centro do negócio. Um compromisso nunca é escravatura, embora a tentação seja grande. Também aqui a compreensão, bom-senso e dedicação são a chave do sucesso.

A ligeireza com que se gerem expectativas e compromissos obriga a uma elevada inteligência emocional. Quem não a tiver não está preparado para os tempos modernos, onde o que parece … pode não ser!”


Água… tão cristalina para uma distorção tão grande...

__________

“(...) E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais (...)”
["Quem de Nós Dois” - Ana Carolina]

(ouvir)
(letra)

__________
... até partir o elástico! Não é, João Mãos de Tesoura

Publicado por mjm • às 12:09 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (10) •

:: Quarta-feira, Abril 06, 2005

Acrósticos ilegíveis

| o inferno pertence àqueles que quiseram o abraço, mas que tombaram antes de terem sido queridos | Ilidio Soares
___________________________

Seremos muitos quando chegarem todos os que vierem depois.
Só então ensaiaremos o riso e se terão acabado de escrever todas as enciclopédias de amor.
Por enquanto, aglutinamos nestes desenhos horrendos com que pintamos as paredes dos quartos e calamos as palavras certas para não desequilibrar o aborrecimento do mundo.
Bebemos águas barrentas - somos as águas barrentas que damos a beber - e enquinamos as sedes das bocas.

Andamos a brincar ao esplendor
Mesclados nos corredores da avenida
Os acrósticos ilegíveis
Roçam a ambiguidade do amor

Publicado por mjm • às 01:48 PM • Categoria: Prosa blábláblá (8) •

:: Domingo, Abril 03, 2005

Passa rente

Reservadamente,
empurro o bolbo das flores que não estavam destinadas a nascer.
Enquistam no querer
mas agitam-me
, sincrónicas ,
as asas de borboleta a espadanarem-me
o estômago.  A flor do medo!…
Amar assim, sem condição
em rendição, tão altruísta
que me desleixe de mim? Não creio
que o saiba fazer. Construo paredes
sólidas de ar quente e passas rente. Passas.
Rente passas.
Rente.
Tão rente ao meu querer, que não te quero querer.
Destruo toda a vontade de te amar ausente.
Querer-te e amar-te
inconfidente é morte lenta, bolbo-quistos a embolorar o que se sente.
A flor do medo inteira e minha.
Antes sozinha que demente.
Por isso, passa! Passa
rente!
Só quero flores a ameaçar o meu presente.

Publicado por mjm • às 04:47 PM • Categoria: Poesia blábláblá (21) •

:: Sexta-feira, Abril 01, 2005

“12 Mulheres e 1 Cadela”

Sinopse

“A Mãe, a causadora do Todo?
Sendo o Verdadeiro, o Todo, entre o ser e o não ser, é o tempo da inquietação, do desejo que nos projecta na criação.
Estas 12 actrizes, mulheres, mães e cidadãs, encontram pela sua profissão, e no palco, o espaço onde apresentar a história dos seus universos.
Da palavra de Inês Pedrosa, à “nossa palavra”, há um espaço encenado através da representação dos corpos e das sonoridades dos mesmos. A força de um corpo não normalizado, a par de outros sempre diferentes mas preocupados em serem iguais.
Do universo da aldeia de Manteigas ao universo da Cisjordânia, da frase eu vos saúdo maridos à praxis dolorosa de uma separação, do acto da maternidade ao acto do crime de honra. O medo, a doença, o conflito, a barbárie, a alegria, a esperança, o humor, o amor, o riso, o prazer são, nas várias gerações que estas 12 Mulheres (41 personagens, 35 figurações e 1 cadela) representam, a essência da MÃE, centro da Terra, impulsionadora das suas vidas.”

Inês Pedrosa, Fazes-me Falta
http://12mulherese1cadela.blogspot.com/

textos Inês Pedrosa
encenação São José Lapa
assistente de encenação Lucinda Loureiro e Ângela Pinto
cenografia e adereços Inês Lapa Lopes
sonoplastia Alberto Lopes
desenho de luz Alexandre Coelho
coreografia e trabalho de grupo Vítor Linhares
trabalho vocal Manuel Brás da Costa e Inês Martins
styling Sandra Pereira
adaptação dramatúrgicaAs Doze e Inês Pedrosa
design gráfico e fotografia Clementina Cabral
direcção do projecto “12M&1c” São José Lapa, Lucinda Loureiro e Ângela Pinto
assistente do projecto 12M&1c” Cecília Duarte
interpretação Alexandra Freudenthal, Alexandra Leite, Ângela Pinto, Carmen Santos, Gracinda Nave, Inês Lapa Lopes, Jo Bernardo, Joana Manaças, Lucinda Loureiro, Paula Guedes, Rita Rodrigues e São José Lapa
produção Teatro da Trindade/INATEL 2005

. de 31.03.2005 a 22.05.2005
. Quarta-feira a Sábado às 21h30 e Domingo às 18h00
. Informações/ Vendas/ Reservas:
Teatro da Trindade, Lisboa - Bilheteiras: 213420000

Descontos aplicáveis:
20% Jovens c/ -25 anos, Seniores e Cartão FNAC
30% Sócios do INATEL e Grupos +10 PAX
50% Grupos de escolas à Quarta e Quinta

Publicado por mjm • às 05:31 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (10) •

:: Quarta-feira, Março 30, 2005

É imperativo amar sorrindo

Aguardo as flores.
Vamos brincar amores
Como abelhas nos sobrados.
A seguir às dores
Reverdecem prados.


Pick a Flower by artofgold

Publicado por mjm • às 12:00 AM • Categoria: Poesia blábláblá (10) •

:: Quarta-feira, Março 02, 2005

Ancient Babylon


The once great city of Babylon, where the Jews were held captive for 70 years, became a symbol of power, materialism, and cruelty.

The city of Babylon was the capital of the ancient land of Babylonia in southern Mesopotamia. It was situated on the Euphrates River about 50 miles south of modern Baghdad, just north of what is now the modern Iraqi town of al-Hillah.

The tremendous wealth and power of this city, along with its monumental size and appearance, were certainly considered a Biblical myth, that is, until its foundations were unearthed and its riches substantiated during the 19th century. Archaeologists stood in awe as their discoveries revealed that certain stories in the Bible were an actual situation that had happened in time.

The Word “Babylon”

Babylon is Akkadian “babilani” which means “the Gate of God(s)” and it became the capital of the land of Babylonia. The etymology of the name Babel in the Bible means “confused” (Gen 11:9) and throughout the Bible, Babylon was a symbol of the confusion caused by godlessness. The name Babylon is the Greek form of the Hebrew name Babel.

The Tower of Babel


The Bible reveals that all false systems of religion began in the land of Babylon and will have their consummation from the spirit of Babylon in the last days. It is interesting to note that every organized system of religion in the world today has traces of ancient Babylon. The Bible records in Genesis 10:10, that, after the great flood, all men spoke one common language and a man named Nimrod built a city and established a common religion. Nimrod was a descendant of Noah’s son, Ham. Genesis 11:1-9 describes the building of the city and its famous tower “whose top may reach unto heaven.” It also records how God came down and punished the people’s arrogance by creating a confusion of different languages and possibly their racial distinctions. This way man would be forced to obey God’s original command to “be fruitful and fill the whole earth.” It is interesting that the materials used to build the Tower of Babel were the same as those employed for the construction of the great ziggurat of Babylon and similar ziggurats, according to ancient building inscriptions.

para ler mais

Publicado por mjm • às 05:02 PM • Categoria: Divulgação blábláblá (3) •

:: Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

Lilith


O primeiro capítulo da Bíblia, conta a história de Adão e Eva ...mas segundo o Zohar (comentário rabínico dos textos sagrados), Eva não é a primeira mulher de Adão. Quando Deus criou o Adão, ele fê-lo macho e fêmea, depois cortou-o ao meio, chamou a esta nova metade Lilith e deu-a em casamento a Adão. Mas Lilith recusou, não queria ser oferecida a ele, tornar-se desigual, inferior, e fugiu para ir ter com o Diabo. Deus tomou uma costela de Adão e criou Eva, mulher submissa, dócil, inferior perante o homem.

De acordo com Hermínio, “Lilith foi feita por Deus, de barro, à noite, criada tão bonita e interessante que logo arranjou problemas com Adão”. Esse ponto teria sido retirado da Bíblia pela Inquisição. O astrólogo assinala que ali começou a eterna divergência entre o masculino e o feminino, pois Lilith não se conformou com a submissão ao homem.

O mito de Lilith pertence à grande tradição dos testemunhos orais que estão reunidos nos textos da sabedoria rabínica definida na versão jeovística, que se coloca lado a lado, precedendo-a de alguns séculos, da versão bíblica dos sacerdotes. Sabemos que tais versões do Gênesis - e particularmente o mito do nascimento da mulher - são ricas de contradições e enigmas que se anulam. Nós deduzimos que a lenda de Lilith, primeira companheira de Adão, foi perdida ou removida durante a época de transposição da versão jeovística para aquela sacerdotal, que logo após sofre as modificações dos pais da igreja.

No Talmude, ela é descrita como a primeira mulher de Adão. Ela brigou com Adão, reivindicando igualdade em relação a seu marido, deixando-o “fervendo de cólera”. Lilith queria liberdade de agir, de escolher e decidir, queria os mesmos direitos do homem mas quando constatou que não poderia obter status igual, se rebelou e, decidida a não submeter-se a Adão e, a odia-lo como igual, resolveu abandona-lo. Segundo as versões aramaica e hebraica do Alfabeto de Ben Sirá (século 6 ou 7). Todas as vezes em que eles faziam sexo, Lilith mostrava-se inconformada em ter de ficar por baixo de Adão, suportando o peso de seu corpo. E indagava: “Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.” Mas Adão se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma “ordem” que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a ele pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido. Vendo que o companheiro não atendia seus apelos, que não lhe daria a condição de igualdade, Lilith se revolta, pronuncia nervosamente o nome de Deus, faz acusações a Adão e vai embora; é o momento em que o Sol se despede e a noite começa a descer o seu manto de escuridão soturna, tal como na ocasião em que Jeová-Deus fez vir ao mundo os demônios.

Adão sente a dor do abandono; entorpecido por um sono profundo, amedrontado pelas trevas da noite, ele sente o fim de todas as coisas boas. Desperto, Adão procura por Lilith e não a encontra: Procurei-a em meu leito, à noite, aquele que é o amor de minha alma; procurei e não a encontrei” (Cântico dos Cânticos III, 1). Lilith partiu rumo ao mar vermelho (Diz-se que quando Adão insistiu em ficar por cima durante as relações, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho). Lá onde habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica. É um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a contrariar o homem e o questionar em seu poder. Desde então, Lilith tornou-se a noiva de Samael, o senhor das forças do mal do Outro Lado . Como conseqüência, deu à luz toda uma descendência demoníaca, conhecida como “Liliotes ou Linilins”, na prodigiosa proporção de cem por dia. Alguns escritos contam que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar. Assim, enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz que ela foi criada com imundície e lodo), Eva é construtiva e Mãe de toda Humanidade (ela foi criada da carne e do sangue de Adão).

Jehová-Deus tenta salvar a situação, primeiro ordenando-lhe que retorne e, depois, enviou ao seu encalço uma guarnição de três anjos, Sanvi, Sansavi e Samangelaf, para tentar convencê-la; porém, uma vez mais e com grande fúria, ela se recusou a voltar. Lilith está irredutível e transformada. Ela desafiou o homem, profanou o nome do Pai e foi ter com as criaturas das trevas. Como poderia voltar ao seu esposo? Os anjos ainda ameaçaram: “Se desobedeces e não voltas, será a morte para ti.” Lilith , entretanto, em sua sapiência demoníaca, sabe que seu destino foi estabelecido pelo próprio Jeová-Deus. Ela está identificada com o lado demoníaco e não é mais a mulher de Adão. Acasalando-se com os diabos, Lilith traz ao mundo cem demônios por dia, os Lilim, que são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia. Jeová-Deus, por seu lado, inicia uma incontrolável matança dessas criaturas, que, por vingança, são enfurecidas pela sua genitora. Está declarada a guerra ao Pai. Os homens, as crianças, os inválidos e os recém-casados, são as principais vítimas da vingança de Lilith. Ela cumpre a sua maligna sorte e não descansará assim tão cedo.

Uma outra versão diz que foram os anjos que mataram os filhos que tivera com Adão. Tão rude golpe transformou-a, e ela tentou matar os filhos de Adão com sua segunda esposa, Eva.

Lilith Alegou ter poderes vampíricos sobre bebês, mas como os anjos a queriam impedir, fizeram-na prometer que, onde quer que visse seus nomes, ela não faria nenhum mal aos humanos. Então, como não podia vencê-los, ela fez um trato com eles: concordou em ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos. Não obstante, esse ódio contra Adão e contra sua nova (e segunda) mulher, Eva, resultou, para Lilith, no desabafo da sua fúria sobre os filhos deles e de todas as gerações subseqüentes.

A partir daí, Lilith assume plenamente sua natureza de demônio feminino, voltando-se contra todos os homens, de acordo com o folclore assírio, babilônico e hebraico. E são inúmeras as descrições que falam do pavor de suas investidas. Conta-se, por exemplo, que Lilith surpreendia os homens durante o sono e os envolvia com toda sua fúria sexual, aprisionando-os em sua lasciva demoníaca, causando-lhes orgasmos demolidores. Ela montava-lhes sobre o peito e, sufocando-os (pois se vingava por ter sido obrigada a ficar “por baixo” na relação com Adão), conduzia a penetração abrasante. Aqueles que resistiam e não morriam ficavam exangues e acabavam adoecendo. Por isso Lilith também está identificada com o tradicional vampiro. Seu destino era seduzir os homens, estrangular crianças e espalhar a morte.

Durante os primeiros séculos da era cristã, o mito de Lilith ficou bem estabelecido na comunidade judaica. Lilith aparece no Zohar, o livro do Esplendor, uma obra cabalística do século 13 que constitui o mais influente texto hassídico e no Talmude, o livro dos hebreus. No Zohar, Lilith era descrita como succubus, com emissões noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os espíritos malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de tais uniões. No Zohar Hadasch (seção Utro, pág. 20), está escrito que Samael - o tentador - junto com sua mulher Lilith, tramou a sedução do primeiro casal humano. Não foi grande o trabalho que Lilith teve para corromper a virtude de Adão, por ela maculada com seu beijo; o belo arcanjo Samael fez o mesmo para desonrar Eva: E essa foi a causa da mortalidade humana. O Talmude menciona que “Quando a serpente envolveu-se com Eva, atirou-lhe a mácula cuja infecção foi transmitida a todos os seus descendentes… (Shabbath, fol. 146, recto)”. Em outras partes, o demônio masculino leva o nome de Leviatã, e o feminino chama-se Heva. Essa Heva, ou Eva, teria representado o papel da esposa de Adão no éden durante muito tempo, antes que o Senhor retirasse do flanco de Adão a verdadeira Eva (primitivamente chamada de Aixha, depois de Hecah ou Chavah). Das relações entre Adão e a Heva-serpente, teriam nascido legiões de larvas, de súcubos e de espíritos semiconscientes (elementares). Os rabinos fazem de Leviatã uma espécie de ser andrógino infernal, cuja a encarnação macho (Samael) é a “serpente insinuante” e a encarnação fêmea (Lilith), é a “cobra tortuosa” . Segundo o Sepher Emmeck-Ameleh, esses dois seres serão aniquilados no fim dos tempos: “Nos tempos que virão o Altíssimo (bendito seja!) decapitará o ímpio Samael, pois está escrito (Is. XVII, 1): ‘Nesse tempo Jeová com sua espada terrível visitará Leviatã, a serpente insinuante que é Samael e Leviatã, a cobra tortuosa que é Lilith’ (fol. 130, col. 1, cap.XI). Também segundo os rabinos, Lilith não é a única esposa de Samael; dão o nome de três outras: Aggarath, Nahemah e Mochlath. Mas das quatro demônias, só Lilith dividirá com o esposo a terrível punição, por tê-lo ajudado a seduzir Adão e Eva. Aggarath e Mochlath tem apenas um papel apagado, ao contrário do que acontece com as outras duas irmãs, Nahemah e Lilith.

daqui

Publicado por mjm • às 11:11 AM • Categoria: Divulgação blábláblá (3) •



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