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Houve aquela altura em que tive
que o nomear. Não bastavam os sinais do corpo parado
do olhar a vogar longe de cada palavra proferida. A tua mão estendida mostrava o teu coração despido e sentia frio por ti
que beijo algum guardava na paridade dos teus.
Antigamente tínhamos que marcar com lacinhos de cor diferente cada gesto nosso para distinguirmos meu e teu.
antigamente. digo.antigamente. Por ser tão distante de ontem que nem eu nem tu parecemos personagens de história nossa. E se agora me detenho a retro-ver é para me certificar de deixar tudo bem arrumado:
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dois corações de plástico que se autocolavam a um canto do celofane de um ramo de flores por altura de um aniversário;
uma tira de photomatons que tirámos naquela máquina do outro lado da rua do arquivo de identificação quando fomos actualizar os BIs;
uma caixa de madeira que embalou um conjunto multicolor de copos de shot que algum dos convidados nos ofereceu onde continuo a guardar as fotografias do evento sócio-nupcial. sim. ainda por organizar;
os bilhetes do Béjart no coliseu em que eu não parei de chorar. recordo os olhares dos parceiros de camarote e as minhas lágrimas que caíam incessantemente. completamente despudoradas. o silêncio em que te mantiveste. respeitoso. julgando saber que emoções me moviam. equivocado na cumplicidade;
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arrumos parcelados. sem umbigos. sem mundo exclusivo. sem eternidades de para-o-bem e para-o-mal.
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Houve aquela altura em que tive
que o nomear. Dei-lhe o nome de fim. Como se dito passasse a ser real. E resultou.
ainda nos dávamos as mãos na rua. em casa. no cinema. nas exposições. jantávamos nos nossos restaurantes e escolhíamos os mesmos pratos.
mas éramos apêndices sem qualquer nexo funcional.
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Hoje renomeio-o. Dou-lhe o nome
de cancro. Há metástases de mãos dadas às lágrimas do Béjart
BIs multicoloridos de algum aniversário
tiras de corações de plástico
photomatons de flores numa caixa de madeira
o teu silêncio do outro lado da rua
completamente equivocado
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[Maurice Béjart - Queen . Mozart - Ballet for Live]
Nas aritméticas da vida, terei sempre, a cada aniversário, mais onze anos.
Nas equações a várias incógnitas, os resultados alterar-se-ão sempre, à medida que me distanciar das lembranças—porque a memória, obreira dos arredondamentos, se encarregará sempre de mas adulterar, a cada aniversário, ainda que aritmeticamente continue a ter mais onze anos.
Mas o sistema é infalível: faça-se a prova dos nove aos pontos de referência e verificar-se-á que, desde que a abordagem seja a sonora, a memória seleccionará estas duas letras, para sempre aprisionadas a um teorema de liberdade:
[… o menino da foto tem hoje mais trinta e quatro]
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei…
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
Paulo de Carvalho, ‘E Depois do Adeus’
Música: José Calvário/ Letra: José Niza
*
tretaycuatro* años de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores, perfumes
para mi...! Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido,
! ya sabes cosas de viejos!
! Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy
En esta noche fría
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los niños.
Y ya ves solo palabras,
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción.
...Qué helaba está esta casa.
...Será que está cerca del Rio.
...O es que entramos en invierno.
...Y están llegando…
...Están llegando los fríos.
Patxi Andión, ‘Veinte Años’
* desculpa aí, ó Patxi, pela adaptação
AS ASAS DO DESEJO (Der Himmel über Berlin), 1987
Realização: Wim Wenders
Argumento: Wim Wenders, Peter Handke
Banda Sonora: Jürgen Knieper
Lied Vom Kindsein
– Peter Handke -
Als das Kind Kind war,
ging es mit hängenden Armen,
wollte der Bach sei ein Fluß,
der Fluß sei ein Strom,
und diese Pfütze das Meer.
Als das Kind Kind war,
wußte es nicht, daß es Kind war,
alles war ihm beseelt,
und alle Seelen waren eins.
Als das Kind Kind war,
hatte es von nichts eine Meinung,
hatte keine Gewohnheit,
saß oft im Schneidersitz,
lief aus dem Stand,
hatte einen Wirbel im Haar
und machte kein Gesicht beim fotografieren.
Als das Kind Kind war,
war es die Zeit der folgenden Fragen:
Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche
nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin,
bevor ich wurde, nicht war,
und daß einmal ich, der ich bin,
nicht mehr der ich bin, sein werde?
Als das Kind Kind war,
würgte es am Spinat, an den Erbsen, am Milchreis,
und am gedünsteten Blumenkohl.
und ißt jetzt das alles und nicht nur zur Not.
Als das Kind Kind war,
erwachte es einmal in einem fremden Bett
und jetzt immer wieder,
erschienen ihm viele Menschen schön
und jetzt nur noch im Glücksfall,
stellte es sich klar ein Paradies vor
und kann es jetzt höchstens ahnen,
konnte es sich Nichts nicht denken
und schaudert heute davor.
Als das Kind Kind war,
spielte es mit Begeisterung
und jetzt, so ganz bei der Sache wie damals, nur noch,
wenn diese Sache seine Arbeit ist.
Als das Kind Kind war,
genügten ihm als Nahrung Apfel, Brot,
und so ist es immer noch.
Als das Kind Kind war,
fielen ihm die Beeren wie nur Beeren in die Hand
und jetzt immer noch,
machten ihm die frischen Walnüsse eine rauhe Zunge
und jetzt immer noch,
hatte es auf jedem Berg
die Sehnsucht nach dem immer höheren Berg,
und in jeden Stadt
die Sehnsucht nach der noch größeren Stadt,
und das ist immer noch so,
griff im Wipfel eines Baums nach dem Kirschen in einemHochgefühl
wie auch heute noch,
eine Scheu vor jedem Fremden
und hat sie immer noch,
wartete es auf den ersten Schnee,
und wartet so immer noch.
Als das Kind Kind war,
warf es einen Stock als Lanze gegen den Baum,
und sie zittert da heute noch.
“ No hay banda . Il n’y a pas d’orchestre . There is no band . It is all a recording, “ the compère insists . The audience is gathered in an underground theater . There is music, there is performance . There is nerve and intensity . Yet, he contends, “ it is an illusion . “
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. kiss’n’ugs . thks .
(photo: Victor Skrebneski, Lagerfeld for Chanel)
(words: Mulholland Drive, David Lynch)
Desert Rose [Sting]
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in pain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of fire
Those dreams are tied to a horse that will never tire
And in the flames
Her shadows play in the shape of a man’s desire
This desert rose
Each of her veils, a secret promise
This desert flower
No sweet perfume ever tortured me more than this
And as she turns
This way she moves in the logic of all my dreams
This fire burns
I realize that nothing’s as it seems
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in pain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of rain
I lift my gaze to empty skies above
I close my eyes
This rare perfume is the sweet intoxication of her love
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in pain
I dream of love as time runs through my hand
Sweet desert rose
Each of her veils, a secret promise
This desert flower
No sweet perfume ever tortured me more than this
Sweet desert rose
This memory of Eden haunts us all
This desert flower
This rare perfume, is the sweet intoxication of the fall
DONNA MARIA
”Tudo É Para Sempre”, 2004
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Sempre Para Sempre
Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele
Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue, bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada, mas nada
Te faz contente, me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amor eterno
Sem nunca, talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez
Há amor de certezas
Que não trará dor
Amor que afinal
É amor,
Sem amor
O amor é tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente
É acabar de maneira igual
E recomeçar
Um amor diferente
Sempre, para sempre
Para sempre
[Música: Ricardo Sotna e Gil do Carmo
Letra: Miguel A. Majer
Voz: Gil do Carmo]
[(...) existem muitas formas de amor, de facto.] Carlão
Um velho calção de banho . o dia prá vadiar . um mar que não tem tamanho . um arco-íris no ar.
Depois da praça Caymi . sentir preguiça no corpo . e numa esteira de vime . beber uma água de côco.
É bom… passar uma tarde em Itapoã
ao sol que arde em Itapoã
ouvir o mar de Itapoã
falar de amor em Itapoã.
Enquanto o mar inaugura . um verde novinho em folha . argumentar com doçura . com uma cachaça de rolha.
E com o olhar esquecido . no encontro de céu e mar . bem devagar e sentindo . a terra toda rodar.
É bom… passar uma tarde em Itapoã
ao sol que arde em Itapoã
ouvir o mar de Itapoã
falar de amor em Itapoã.
Depois sentir o arrepio . do vento que a noite traz . e o diz-que-diz macio . que brota dos coqueirais.
E nos espaços serenos . sem ontem nem amanhã . dormir nos braços morenos . da lua de Itapoã.
[Vinícius de Moraes e Toquinho]
para ouvir
X&Y - Coldplay
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Fix You
When you try your best, but you don’t succeed
When you get what you want, but not what you need
When you feel so tired, but you can’t sleep
Stuck in reverse
When the tears come streaming down your face
When you lose something you can’t replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
And high up above or down below
When you’re too in love to let it go
If you never try, then you’ll never know
Just what you’re worth
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
Tears stream down your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I…
Tears stream down your face
I promise you that I’ll learn from my mistakes
Tears stream down your face
And I…
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
Você é linda
Fonte de mel
Nuns olhos de gueixa
Kabuki, máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Vocé é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No Abaeté
Areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Vocé é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Sting, “Bring On The Night”
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Love Is The Seventh Wave
In the empire of the senses
You’re the queen of all you survey
All the cities all the nations
Everything that falls your way
There is a deeper wave than this
That you don’t understand
There is a deeper wave than this
Tugging at your hand
Every ripple on the ocean
Every leaf on every tree
Every sand dune in the desert
Every power we never see
There is a deeper wave than this
Swelling in the world
There is a deeper wave than this
Listen to me girl
Feel it rising in the cities
Feel it sweeping over land
Over borders, over frontiers
Nothing will its power withstand
There is no deeper wave than this
Rising in the world
There is no deeper wave than this
Listen to me girl
All the bloodshed, all the anger
All the weapons, all the greed
All the armies, all the missiles
All the symbols of our fear
There is a deeper wave than this
Rising in the world
There is a deeper wave than this
Listen to me girl
At the still point of destruction
At the centre of the fury
All the angels, all the devils
All around us can’t you see
There is a deeper wave than this
Rising in the land
There is a deeper wave than this
Nothing will withstand
I say love is the seventh wave
( Djavan ) - “Vaidade”, 2004
FLOR DO MEDO
Venha me beijar de uma vez
você pensa demais
pra decidir
venha a mim de corpo e alma
libera e deixa o que for
nos unir
não vá fugir mais uma vez
vença a falta de ar
que a flor do medo traz
tente pensar
pode até ser mau e tal
mas pode até ser
que seja demais
tudo vai mudar
posso pressentir
você vai lembrar e rir
alguma dor
que não vai matar ninguém
pode ser vista e nos rondar
não precisa se assustar
isso é clamor
de amor
venha me beijar de uma vez
feito nuvem no ar
sem aflição
venha a mim de corpo e alma
libera a paz do meu coração
não vá se perder outra vez
nesse mesmo lugar
por onde já passou
tente pensar
pode até ser sonho e tal
mas pode até ser
que seja o amor
Paula Morelenbaum - “Berimbaum”
Canto de Ossanha
O homem que diz “dou” não dá, porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz “vou” não vai, porque quando foi já não quis
O homem que diz “sou” não é, porque quem é mesmo é “não sou”
O homem que diz “tô” não tá, porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo senhor, saravá, Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá, que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer
Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer
Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)