Sonho by TCA
| Eu diria não do amor mas do vivido
que inolvido ainda lê-se sob a linha
que escrevinha em minha pele o teu olhar
(...)
Por ser vão o possuir-se aquém do amar
ao falar mesmo distante sei que aninha
e adivinha-me o teu corpo inesquecido |
Márcia Maia in 180
A tua ausência
não me cabe num poema
Dizer-ta aqui sem pele onde a escrever
era amar-te inteiro como inteiro existes adverso
ao verso do existir por dentro apenas
Não sei de presença
que mais me doa que calar o que em mim fala
pelas entranhas onde circulas adverso
Inverso a tudo a que do amor entendas
Temos o direito de não comer, não temos o direito de comer mal.
Leonardo da Vinci
Uma das coisas que me irritam nesta minha nova condição é só poder usar a primeira parte da frase… mas recomendo, aplaudo e invejo quem a possa usar na íntegra.
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Desculpa Vitor, mas vou ter que me cingir ao teu conselho: «Quando não se tiver tempo ou disposição para se fazer uma refeição decente, escolha-se um iogurte»… Para quando iogurtes gourmet?
Ok.. Ok..
Sou fã de Almodóvar, que quereis?
Um pouco de Gardel na voz de Estrella Morente, num playback na boca perfeita e rasgada de Penélope Cruz, mais madura e linda que nunca, que não me sai da cabeça.
Cliquem na música e entrem numa odisseia feminina contada por PA e sintam o vento leste que enlouquece La Mancha e os moinhos de D. Quixote.
Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos,
van marcando mi retorno…
Son las mismas que alumbraron,
con sus pálidos reflejos,
hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso,
siempre se vuelve al primer amor.
La quieta calle donde el eco dijo:
Tuya es su vida, tuyo es su querer,
bajo el burlon mirar de las estrellas
que con indiferencia hoy me ven volver…
Volver,
con la frente marchita,
las nieves del tiempo
platearon mi sien…
Sentir… que es un soplo la vida,
que veinte anos no es nada,
que febril la mirada
errante en la sombras
te busca y te nombra.
Vivir,
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo,
que lloro otra vez…
Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida…
Tengo miedo de las noches
que, pobladas de recuerdos,
encadenan mi soñar…
Pero el viajero que huye
tarde o temprano detiene su andar…
Y aunque el olvido, que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusión,
guardo escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón.
Vivir… con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez…
R Gonzalez Fernandez, BACON
| -La diferencia es solo el resultado de sustraer al otro lo que nosotros creemos ser, por eso hay tanta confusión, por eso hay tantas coincidencias. |
a interna circulação
arrisca um texto
rodam paráfrases
do mesmo silêncio
.
atrito insuportável
R Gonzalez Fernandez, PICASSO
| -Te has convertido en una sombra de tu propria obra, tal vez porque sabes que las creaciones son la única confirmación de la existencia. |
by r.e. (c)
| (...)
- turning from the tremendous lie of sleep
i watch the roses of the day grow deep. |
e.e. cummings
[ ... ]
E se não mais fizer
Que útil seja
Que venha cada dia
Cereja a cereja
[ sob a árvore a vida corre ]
[ por sobre dorme ]
Sou quem sobeja
crestomatia . antologia . florilégio . analecto
A palavra crestomatia é uma palavra composta, registada no início do século XVII. É composta de dois elementos, ambos gregos, de chrêstos, que significa “útil”, e de máthesis, “aprendizagem”, do verbo manthanein que significa “aprender”. O significado do substantivo crestomatia seria portanto “aquilo que é útil para a aprendizagem, que é útil no processo educativo” e refere-se a colectânea de textos escolhidos em função do ensino: recolha de fragmentos de prosa tirados de autores clássicos, célebres, que escrevem “bem” e são “bons” para o ensino.
O termo vizinho, hoje frequentemente misturado com o de crestomatia é o de antologia. Sendo o anthos a flor em grego, a antologia seria uma recolha de textos ou excertos de textos, mas escolhidos mais por um critério estético, não sendo conotada com a ideia de ensino. Além disso, o termo antologia usa-se com mais frequência para a poesia, enquanto a crestomatia se referiria mais à prosa.
Existe mais um termo semelhante em português (e não só em português): o de florilégio, de início do século XVIII. O florilégio tem também uma conotação de avaliação estética, embora possa denotar qualquer recolha de textos considerados representativos, conforme vários critérios adoptados. Vem do latim moderno florilegium, palavra forjada segundo o modelo de spicilegium, de spica, “ponta, espiga”, que passou a denotar uma espécie de ligadura, utilizada para amassar os documentos ou páginas avulsas de qualquer texto, diplomas, etc. A palavra espicilégio existe, acho, ainda hoje em português, mas mais para a papelada administrativa, lato sensu.
E, por fim, o(s) analecto(s) é mais um termo vizinho aos referidos, que podia ter sido utilizado para a colectânea de fragmentos, literários mas não só, que vem do grego análectos, “recolhido”, através do latim analecta, que designava o coitado escravo que recolhia os restos de refeições ou o compilador de frases e palavras.
(Faculdade de Letras de Zagreb, Croácia)
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[ #1 | #2 | #1 - 2., #2 - 1. ]
b’ndia
bzzz
foste levar a chavala?
que tal?
tou chateada como um peru!
atão?
foi só a reunião
eu sabia
e...?
e ela só tem escola até às 3h
oc car assas
não têm Atl e não arranjo nenhum
já viste esta merda?
oc car assas
então.. é das 9h às 3h??????
fui a uma creche lá ao pé
isso não é escola; é part-time
da paróquia da outurela e paga-se consoante os rendimentos
pois
hummm
e trouxe uma inscrição e esses estão abertos até às 19h30
vamos lá a ver se tenho vaga
vá lá… têm Atl de torneiro mecânico? LOL
sorry
na escola dela no ano passado tinham Atl. este ano não há verba
oc car assas
isto é surrealista
não… é um país de não-brancos
tou tão desanimada...
então… q tal ficares sentada no carro, depois de a despejares, e depois trazê-la às 3h???
acredito
isso não ‘rende’
e o pior é que não sei a quem me dirigir para protestar
a ninguém!.... helloooo
neste país não se protesta; desabafa-se
quem manda terem filhos, hein?!
vi uma peça na TV sobre trás-os-montes… fecharam sem avisar, cerca de 60 escolas… algumas povoações distam da q funciona 40Kms… vão fazer os miúdos deslocar-se de taxi
no comments…
num jornal espanhol, uma notícia mereceu a seguinte parangona:
SE LLAMA ANTÓNIO, NACIÓ EN ESPAÑA, PERO ES PORTUGUES
daqui a pouco também vão para as escolas espanholas
si
good news:
- não se vai privatizar a segurança social! - socrates dixit
enqt continuarem sem saber aonde anexar portugal… seremos uma ilha encostada à europa…
tu não tens um problema; tu tens uma realidade
[ok, ok… não tou a ajudar]
[tou só a ajudar a rechear-te o peru]
...e..... TAPA NA PANTERA!!!
mas é isso mesmo
estou a ver o site do ministério e não ajuda...
pois
têm jardins de infância e não têm horários
bueno
busca en los espanhuelos.... LOL
podes crer
Inspired Remembrance by r.e. (c)
| Com os indivíduos incomuns (...), e tanto mais quanto mais distintos forem, (...), de tempos em tempos, no seu isolamento, podem alegrar-se por terem descoberto em alguém, uma fibra, por menor que seja, homogénea à sua! De facto, cada um só pode ser para outrem o que este é para ele. Espíritos verdadeiramente eminentes fazem o seu ninho nas alturas, como as águias, solitários. (...), isso explica por que os indivíduos de disposição igual se reúnem de imediato, como por atracção magnética: é que almas afins já de longe se saúdam. | Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’
| Mas sede prudente também com os vossos iguais. (...) Deixai antes que os outros vos descubram (...). Devereis ser de bastante e às vezes parecer de pouco. (...) E sobretudo, se tiverdes paixões, não as ponhais à vista, por mais nobres que vos pareçam. Não se deve consentir a todos o acesso ao nosso próprio coração. Um silêncio cauto e prudente é o cofre da sensatez. | Umberto Eco, in ‘A Ilha do Dia Antes’
Nada mais direi
Que não tenha já dito
; que não tenha sido dito.
Nada que do dizer podia
Encontra rima em metáforas
; equilibradas.
Se os meus silêncios
São aqui já nadas
Antes fossem aquele tudo
; que me soubesse sem pelo dizer passar.
Só passos firmes galgando velhos limites
Passar-me para o outro lado
; sem pensar cuidado
E deixar-me amar.
I started a joke, which started the whole world crying,
but I didn’t see that the joke was on me, oh no.
I started to cry, which started the whole world laughing,
oh, if I’d only seen that the joke was on me.
I looked at the skies, running my hands over my eyes,
and I fell out of bed, hurting my head from things that I’d said.
‘Til I finally died, which started the whole world living,
oh, if I’d only seen that the joke was on me.
I looked at the skies, running my hands over my eyes,
and I fell out of bed, hurting my head from things that I’d said.
‘Til I finally died, which started the whole world living,
oh, if I’d only seen that the joke was one me.
[’I Started A Joke’ lyrics and music by The Bee Gees]
[Ainda andei a rasgar texto, mas feria o artigo ao Miguel. Contudo, os dois últimos parágrafos, imparáveis pelo a todo o vapor, é possível que vos custem a ler. Tentem abstraír do som das minhas palmas.]
“Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”
Miguel Esteves Cardoso, in ‘Expresso’
Num dia que seja de Verão, espera-se calor. É justo. Noutro, de Inverno, frio. Talvez chuva; poucas horas de luz, pelo menos. Assim, sincopadamente arrumadas, as estações não reservam surpresas. Na escola, encarrapitam-se na memória numa sequência nada inocente: percorrem o ciclo da Vida. Ninguém ousaria memorizá-las aleatoriamente sem ter decorado a lenga-lenga obrigatória!
- Tu, aí, Diogo, queres dizer-nos quantas são as estações do ano?
- São quatro, senhora professora.
- E quais são elas?
- Verão, Outono, Primavera e Inverno.
Incontidos, todos largaram à gargalhada. A professora, hesitante entre achar que o Diogo a desafiava ou que simplesmente lhe respondia sincero, fixou o olhar no aluno à espreita de um sorriso que lhe escapasse, enquanto a turma inteira se calou expectante pelo momento seguinte. Diogo insistiu, num tom a descambar para o inseguro:
- Verão, Primavera, Inverno e Outono… Não são, senhora professora? - As faces coravam contra a sua vontade, enquanto se sentia alvo de muitos pares de olhos e ouvidos, sobretudo por não conseguir detectar no rosto da professora um único músculo que lhe fornecesse qualquer pista. Ao fim do que lhe pareceu uma eternidade, lá veio a explicação:
- Está certo, sim. São, de facto essas, as quatro estações do ano. Porém, consegues dizê-las pela ordem em que se sudecem?
Diogo hesitou uns escassos segundos e enumerou:
- Sim senhora professora: Inverno, Primavera, Verão e Outono. - E sorriu, triunfante.
A turma, não tão explosiva quanto da primeira vez, reagiu num burburinho surdo, salpicado por alguns risinhos agudos, assexuadamente infantis.
- Explica-me, e aos teus colegas, por que assim consideras que seja a ordem das estações?
- É simples, senhora professora - voltara-lhe a segurança; explicar a sua lógica, quando lho pediam, era sentir reduzir-se o peso da loucura que lhe atribuíam - o Inverno é o princípio de tudo. É quando a cor está debaixo da terra a renovar-se, mas em cima não se vê. Quando não se vê a cor é porque os olhos não conseguem ver debaixo da terra, mas ela está lá. Os nossos olhos não vêem no Inverno. Por isso, quando for grande, quero ser poeta.
| haverá o dia, tu sabes, em que nada do que presumes ser poesia terá já o gosto certo. roídos os ossos da palavra sobrará uma única esboroada pedra e haverá o dia em que, tu sabes, pelas areias nesses desertos desabrocharão como manhãs, límpidas e frescas, as orquídeas, as magnólias e os outros perfumes de ser belo. as águas calmas no verde serão apenas idílios e novos nomes ganharão o sabor de serem ditos e reditos como línguas equivocadas no céu de outra boca.
“mas nada disto, absolutamente nada disto, tem que ver com poesia”: é mais assim como que o corpo feito de sucessivos despojos
metamórficas páginas
um necessário
e urgente
desejo. |
blimunda
P>
exalar significados
pelos olhos
tê-los fechados
sucedendo-se as paisagens
só rente aos lábios
intocar-lhes
os âmagos dilatados
suspender os sentidos
retardá-los
Klimt
O amor fica para os pobres
Perguntei a cerca de 40 dos meus alunos qual das palavras preferiam para designar o acto sexual: fornicar ou foder. Foram unânimes em considerar foder preferível a fornicar. Um deles chegou mesmo a acrescentar: «Fornicar é porco. Os porcos é que fornicam.» Cobri a afirmação explicando-lhe que, por muito que lhe custasse aceitar, cabe aos homens fornicar e aos porcos cobrir. Com o tempo, certas palavras adquirem efeitos que não tinham; outras, devido à sua banalização, perdem o efeito que tiveram. Porque completamente banalizado, o termo foder perdeu parte do seu significado quando aplicado em literatura. Motherfucker para aqui, fuck you para acolá, são poucos os filmes e as canções “comerciais” que não botem um fuck lá pelo meio. E que dizer do “humor à portuguesa”? A dificuldade reside precisamente no facto de o termo foder, bem mais aprazível que fornicar, estar de tal forma esvaziado de conteúdo imagético que cheira a mofo. Veja-se como após o sucesso de «O amor é fodido» não há pimba literário, ou escritor light, que não meta umas fodidelas no curso da narrativa. Agora a moda parecem ser as enrabadelas, talvez por parecer mais chocante a quem não tem mundo. Hoje, foder é mais do domínio de lixar a cabeça a alguém. «Estou fodido» significa «estou lixado». Ou, quando muito, o mais facilmente incongruente «foram-me ao cu». Ao contrário, fornicar é pinocar porco e feio. E já repararam como a expressão «fazer amor» se tornou tão… anacrónica? Ou como «fazer sexo» remete para uma espécie de actividade fabril? Sendo assim, eu diria que o artesão faz sexo, o homem vulgar fode e as putas fornicam. O amor fica para os pobres.
HMBF, in Insónia
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[# I]
Desert Rose [Sting]
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in pain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of fire
Those dreams are tied to a horse that will never tire
And in the flames
Her shadows play in the shape of a man’s desire
This desert rose
Each of her veils, a secret promise
This desert flower
No sweet perfume ever tortured me more than this
And as she turns
This way she moves in the logic of all my dreams
This fire burns
I realize that nothing’s as it seems
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in pain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of rain
I lift my gaze to empty skies above
I close my eyes
This rare perfume is the sweet intoxication of her love
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in pain
I dream of love as time runs through my hand
Sweet desert rose
Each of her veils, a secret promise
This desert flower
No sweet perfume ever tortured me more than this
Sweet desert rose
This memory of Eden haunts us all
This desert flower
This rare perfume, is the sweet intoxication of the fall